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A PÍLULA DOS SONHOS
Walter Bestane in "ABEI Hoje", no 14, dez/97.
A ABEI convocou seus membros para uma proveitosa reunião em São Paulo, no dia 6 de dezembro passado. Foi um sábado ensolarado e a reunião aconteceu no confortável Flat Hygienópolis Classic. A organização do evento ficou a cargo de nosso simpático e sempre amável recém-empossado presidente, Dr. José Mário Reis.
O tema apresentado e discutido foi o estado atual do uso da droga Sildenafil, do Laboratório Pfizer, por via oral, no tratamento da disfunção erétil (DE). A reunião esteve a cargo da Pfizer, atendendo à solicitação do Dr. José Mário Reis, e foi representada por três de seus gerentes: Dr. Renato Mayol, da Divisão Médica, Sra. Solange, do Setor de Registros e Dr. Antonio Flávio, do Departamento de Marketing. Todos os dados apresentados fazem parte de artigos já publicados ou de abstracts apresentados em congressos sosbre Urologia e Impotência em todo o mundo. Tivemos então a oportunidade de conhecer com detalhes os principais resultados dos testes realizados no homem, em vários estudos, geralmente duplo-cegos com placebo, bem como a farmacologia, os efeitos colaterais, etc. Vimos também a situação atual da regulamentação da droga nos Estados Unidos e no Brasil. Houve ainda alguns debates interessantes. Seguem aqui, para os que não puderam estar presentes, algumas informações resumidas que julgamos mais importantes. O Sildenafil é um pó cristalino de fácil absorção quando administrado por via oral, sendo em grande parte, metabolizado no fígado e, em menor proporção, eliminado pelos rins. Trata-se de um potente inibidor de fosfodiesterase (PDE), preferencialmente do tipo 5, que é justamente o que mais existe no corpo cavernoso (CC). Daí sua seletividade de ação. Com a inibição da PDES , fica então inibida a degradação da guanosina monofosfato cíclica (cGMP), o que por sua vez facilita o relaxamento da musculatura lisa do CC, induzido pela liberação de óxido nítrico (comprovação experimental prévia). Após uma primeira fase de estudos toxicológicos em animais, o produto já foi tstado em cerca de 4.500 homens voluntários, devendo iniciar-se, neste ano, uma série também no Brasil.
Por exigência da FDA (Food and Drug Administration), foram vários os estudos realizados, variando as patologias, a faixa etária, e a presença ou não de doenças associadas, tais como neuropatias, diabetes, comprometimento hepático ou renal, etc. Foi dada ênfase especial ao estudo dos possíveis efeitos colaterais sem prejuízo da análise do efeito erétil, naturalmente o mais desejável.
De modo geral, ficou-nos a impressão de que a droga é bem tolerada, provocando cefaléia dose-dependente em cerca de 10% dos pacientes e, em menor escala, distúrbios dispépticos e visuais (principalmente confusão entre o verde e o azul), dores musculo esqueléticas e "flushes" por vasodilatação periférica. Houve melhora significativa do desempenho sexual e da resposta erétil tanto nos grupos de dose diária como nos que tomaram a droga apenas 1 hora antes das pretensas relações.
A dose recomendável, na prática, será provavelmente de 50 mg a 100 mg, com a qual deverá ocorrer uma facilitação da resposta erétil aos estímulos eróticos por um período entre 30 minutos e 4 horas após a tomada, tempo esse que a linguagem científica chama de "janela de oportunidade" (há poucas décadas seria a "oportunidade da janela", que o jovem pulava para estar com sua namorada, já que o amor não era assim tão livre). Nas discussões, tendo o Dr. Jardim, de Niterói, manifestado a preocupação de que a pílula seria vendida livremente em farmácias e isso deixaria nossos consultórios "às moscas", foi lembrado que realmente sua venda, caso aprovada, exigirá receituário médico e, ainda, que o risco de perdermos clientela é muito improvável. Ao contrário, com a renovação do interesse pelo tratamento da DE, a ínfima porcentagem de pacientes que procuram atenção médica, hoje estimada em apenas 1% dos que sofrem desse mal, deverá crescer substancialmente, pressionada pela ação da mídia e das próprias parceiras insatisfeitas.
Uma previsão otimista do lançamento, não ocorrendo imprevistos, seria no primeiro semestre deste ano, nos Estados Unidos, e no final do ano no Brasil. Interessante notar que alguns médicos da platéia estavam ansiosos para receber as primeiras amostras. Aguardemos. Dessa forma, caros colegas, tentamos compartilhar com você uma boa parte dessa proveitosa reunião. Pena que não possamos também dividir o farto almoço que se seguiu.
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