DOENÇA DE PEYRONIE, CURVATURA PENIANA, PÊNIS TORTO, PEYRONIE.

Introdução;
Por que o pênis fica torto na doença de Peyronie?
Diagnóstico da doença de Peyronie;
Tratamento da doença de Peyronie;
Artigos selecionados sobre a doença de Peyronie:


INTRODUÇÃO:
A doença de Peyronie se caracteriza por uma curvatura do pênis que acomete quase 1% dos homens. A curvatura pode se dar para cima, para baixo ou para os lados; em casos mais complexos pode ter dois desses desvios. A curvatura quando é muito acentuada pode dificultar e até mesmo impedir a penetração vaginal. Ao contrário da curvatura congênita, quando o homem já nasce com o pênis encurvado (geralmente para baixo), a doença de Peyronie aparece ao longo da vida adulta, depois de vários anos sem nunca ter se manifestado. O início é súbito percebido como um pequeno nódulo fibroso e endurecido no corpo do pênis. Esse nódulo fibroso pode ficar para sempre do mesmo tamanho ou pode aumentar em poucas semanas ou meses. Quando o nódulo aumenta, se transforma numa placa; à medida que a curvatura aumenta, o pênis se dobra para dentro da placa. A doença de Peyronie pode ter dor ou não, pode atrapalhar a penetração ou não, pode ser caso de cirurgia ou não. A dor pode ser no pênis durante a ereção ou na vagina da parceira durante a penetração. O Peyronie mais acentuado pode até mesmo dificultar algumas posições durante a relação sexual A deformidade que a curvatura provoca no pênis, muitas vezes se acompanha de constrangimento, é capaz de diminuir a excitação, levando a uma disfunção erétil (impotência sexual masculina).

A origem desta calcificação, até hoje não está bem explicada; a teoria mais recente atribui como causa, os pequenos e repetidos traumas que ocorrem na albugínea (camada que envolve os corpos cavernosos do pênis) enquanto o homem mantém relação sexual com o pênis não completamente rígido, ocorrendo pequenas dobras sempre no mesmo lugar. Nesse ponto, acontecem pequenos sangramentos que a cada cicatrização forma uma fibrose, evoluindo para uma calcificação deformante.

A doença de Peyronie pode acometer homens de qualquer idade (mais comum entre os 40-60 anos), de qualquer raça e de qualquer classe social. Sua evolução pode demorar anos ou poucas semanas. Essa curvatura pode estar relacionada a fatores genéticos, pode estar relacionada a fatores reumáticos (doença de Dupuytren e fasciite plantar), pode estar relacionada a pequenos e frequentes traumatismos do pênis, fratura do pênis (nas relações sexuais com a mulher por cima), falta de algumas vitaminas e vasculite auto-imune. Pode estar acompanhada de uma disfunção erétil (impotência sexual masculina). A doença de Peyronie não está relacionada ao câncer, não causa necrose do pênis, não causa esterilidade e não oferece risco de morte.

POR QUE O PÊNIS FICA TORTO NA DOENÇA DE PEYRONIE?
O pênis é formado por dois corpos cavernosos (tecido erétil) envoltos por uma membrana semi-rígida chamada de albugínea. A albugínea é uma camada multilaminada com fibras longitudinais e fibras circulares. Quando ocorre a ereção, os dois corpos cavernosos se enchem de sangue e crescem até serem contidos pela albugínea. Na doença de Peyronie ocorre uma fibrose dessa membrana albugínea que impede o corpo cavernoso de se distender e crescer naquele ponto. Seria como se puxássemos o freio de mão das rodas de apenas um lado de um carro em movimento; o carro faria uma curva para dentro do lado freado. No pênis é a mesma coisa; na doença de Peyronie a placa "freia" o crescimento do pênis naquele local, fazendo com que ele descreva uma curva em torno da placa.

DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PEYRONIE:
O diagnóstico do Peyronie é essencialmente clínico, feito através da palpação da placa sob a pele do pênis. Eventualmente a certeza do diagnóstico pode exigir uma injeção intracavernosa de um vasodilatador de modo a se observar a curvatura peniana durante a ereção; em outros casos um ultra-som ou uma ressonância nuclear magnética ajuda a mapear a extensão da placa e auxilia no planejamento do tratamento cirúrgico.

Em medicina quando uma patologia pode ser tratada de varias formas diferentes, é porque nenhuma delas provou que é a melhor. Como a causa da doença de Peyronie não está totalmente esclarecida, os tratamentos ainda são baseados na experiência de cada médico. Geralmente a curvatura evolui até um determinado ponto e depois se estabiliza, ou seja, a placa para de aumentar. Em 10% dos casos pode ocorrer uma regressão espontânea da placa seguida de melhora da curvatura.

TRATAMENTO DA DOENÇA DE PEYRONIE:
Dez por centos das curvaturas penianas regridem espontaneamente, sendo que muitos pacientes apresentam uma regressão espontânea e total da curvatura sendo dispensável qualquer tipo de tratamento para o Peyronie. Uma melhora (também espontânea) pode ser observada em outros 20-40% dos pacientes. Mas na maioria dos casos a curvatura peniana persiste ou até piora. O tratamento da doença de Peyronie deve ser individualizado, não existindo uma única alternativa de tratamento que sirva para todos os pacientes.

O tratamento da doença de Peyronie pode ser clínico ou cirúrgico. O tratamento clínico deve ser feito logo no início da formação da placa ou da curvatura peniana; usa-se vitamina E, Potaba (para-aminobenzoato), injeções de corticóides, colagenase, dimetil-selfoxida e bloqueadores de cálcio injetados diretamente dentro da placa. O uso de um extensor peniano até encontra a sua lógica na fase em que a placa ainda não esta totalmente calcificada, mas a sua aplicação tem pouca adesão entre os médicos em geral. A litotripsia com ondas de choque e a radioterapia também já foram tentadas, mas com resultados pouco significativos.

O tratamento cirúrgico só deve ser indicado se o paciente tiver 3 dessas condições: se tiver a doença de Peyronie há pelo menos um ano; se a placa estiver estabilizada (sem piorar) há pelo menos 3-6 meses; e se existir dificuldade na atividade sexual.

Em nossa prática, o tratamento cirúrgico é o que melhor atende às expectativas dos pacientes. O tratamento cirúrgico do Peyronie é o que mais rapidamente resolve o problema e com os melhores resultados. A cirurgia pode ser direcionada para a retirada da placa fibrótica e a sua substituição por um enxerto orgânico ou sintético, ou pode ser feita apenas para encurtar o lado maior do pênis que dessa forma ficaria retificado. A retirada da placa muitas vezes evolui com recidiva da calcificação no local operado. Quando temos uma disfunção erétil (impotência sexual masculina) associada ao Peyronie, a cirurgia é complementada com o implante de um par de próteses penianas.

Muitos pacientes perguntam: - "Doutor, a cirurgia vai deixar o meu pênis mais curto, vai diminuir o tamanho do meu pênis?" A resposta é "não". O pênis com a curvatura já está diminuído pela placa. O que a cirurgia faz é encurtar o outro lado de modo a retificar o eixo do pênis.

Devemos ter em mente que uma nova fibrose pode se formar semanas, meses ou anos depois da cirurgia, isso porque a cirurgia corrigiu a curvatura peniana que havia, mas não é capaz de evitar a formação de novas placas se ainda houver a progressão da doença de Peyronie. A cirurgia de encurtamento (plicatura ou Nesbit modificado) é reversível, podendo ser desfeita no caso de ser necessária uma nova cirurgia ou de um tratamento mais moderno. O tempo de internação é de apenas 4 a 6 horas e em um mês o paciente retorna à atividade sexual. Só indicamos o implante de prótese peniana quando existe uma disfunção erétil (impotência sexual masculina) importante associada.

ARTIGOS SELECIONADOS SOBRE A DOENÇA DE PEYRONIE:
Novo enxerto para pênis torto (Peyronie) é testado no Brasil.
http://centromasculin.blogspot.com/2010/06/novo-enxerto-para-penis-torto-e-testado.html
Penile Traction Therapy for Treatment of Peyronie's Disease: A Single-Center Pilot Study
http://centromasculin.blogspot.com/2008/06/penile-traction-therapy-for-treatment.html
Peyronie's desease (em inglês).
http://www.brazjurol.com.br/julho_2001/Graziottin_326_340.htm
Long-term patient satisfaction after surgical correction of penile curvature (Peyronie) via tunical plication (em ingles).
http://www.brazjurol.com.br/july_august_2007/Paez_ing_502_509.htm



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